PCP lança campanha nacional

<font color=0094E0>Lutar contra as injustiças<br>Exigir uma vida melhor</font>

O PCP promove, ao longo deste trimestre, uma campanha nacional de contacto e mobilização dos trabalhadores e da população com o lema «Com o PCP – Lutar contra as injustiças, exigir uma vida melhor». Em foco estarão os temas do desemprego, da precariedade e dos salários.

O PCP estará, como sempre, junto aos trabalhadores nas empresas

A campanha, que se inicia no dia 25 de Janeiro e se prolonga até final de Março, será suportada numa forte presença de rua, com cartazes e folhetos, que serão distribuídos em centenas de acções junto a empresas. Em diversas iniciativas dirigidas a sectores específicos serão privilegiados os desempregados, nos centros de emprego, as camadas mais jovens de trabalhadores, bem como as mulheres trabalhadoras (no ano em que se assinala o centenário do Dia Internacional da Mulher).
Da programação da campanha fazem ainda parte comícios, sessões públicas, debates e acções de agitação e esclarecimento. Em algumas destas iniciativas participará o Secretário-geral do Partido, Jerónimo de Sousa.
Tratando-se de uma campanha fundamentalmente voltada para o contacto com os trabalhadores e as populações, nas empresas e nas ruas, não deixará de ter expressão no plano institucional. Pela voz dos deputados comunistas serão levantados alguns dos principais problemas com que os trabalhadores e o povo se confrontam no seu dia-a-dia e serão também eles a dar corpo às propostas necessárias para a ruptura e mudança que o País reclama.
Só para esta semana estava prevista a apresentação, mais uma vez, da proposta do Partido para o alargamento dos critérios de acesso ao subsídio de desemprego, que o PS já chumbou por sete vezes; a realização de uma audição sobre horários de trabalho e a apresentação de um projecto visando a limitação da desregulamentação e alargamento dos horários previstos no actual Código do Trabalho (para uma informação mais detalhada da actividade parlamentar do PCP ver páginas 15 e centrais).

Razões para lutar

Num comunicado enviado à imprensa no dia 16, o PCP explicava as causas que suportam a campanha. No texto afirmava-se que a realidade do País confirma a «necessidade de uma ruptura com a política de direita» do Governo do PS, executada e apoiada por PSD e CDS-PP.
Dos vários problemas registados, os comunistas destacam o «aumento do desemprego, que atinge mais de 700 mil trabalhadores, e a persistência do Governo em negar apoios a mais de metade dos desempregados; os baixos salários e pensões responsáveis pelo agravamento do custo de vida; a ofensiva contra direitos laborais com a acentuação das situações de trabalho precário; o ataque contra as funções do Estado expresso no discurso agora ensaiado a propósito do défice das contas públicas; a liquidação do aparelho produtivo nacional e a acentuação da dependência do País, a par de uma política de favorecimento dos grandes grupos económicos e dos seus lucros e privilégios».
No comunicado, lembra-se ainda que Governo e grande patronato «apostam na pressão e na chantagem sobre os trabalhadores». Em milhares de empresas, prossegue o texto, os trabalhadores são confrontados diariamente com a «ameaça de despedimento, com reduções de salários e remunerações, com a generalização da precariedade, com ataques à contratação colectiva e à sua dignidade».
A luta de massas contra esta política surge, assim, como a «única resposta capaz de travar a ofensiva e impor novos direitos», consideram os comunistas. Dando como exemplos o aumento do salário mínimo nacional para 475 euros em 2010 e o recente acordo entre o Governo e os sindicatos de professores.
Com esta campanha, afirma-se ainda no comunicado, o «PCP pretende levar mais longe a sua proposta de ruptura com a política de direita, animar a luta de todos quantos aspiram a uma vida melhor e não se conformam com as injustiças, com o desemprego, com a pobreza e corrupção que aumenta no nosso País». Ao mesmo tempo que quer reafirmar que o «caminho é o do aumento dos salários, da criação de emprego com direitos, do combate à precariedade, do reforço dos serviços públicos, de defesa da produção nacional, do controlo público dos sectores estratégicos da nossa economia, da afirmação de uma outra política ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País».

Propostas de futuro

No folheto que será distribuído nas múltiplas acções de rua que darão corpo a esta campanha nacional do Partido encontram-se muitas das propostas dos comunistas para uma nova política, a par de outras que, no imediato, travariam a ofensiva e as suas dramáticas consequências.
Com o objectivo de alcançar mais justiça social, o PCP propõe o «aumento geral, sustentado e contínuo dos salários da generalidade dos trabalhadores», nomeadamente o aumento do salário mínimo nacional para pelo menos 600 euros até 2013. A subida real dos vencimentos dos trabalhadores da Administração Pública, com compensação das perdas das últimas décadas, e o combate a perdas salariais no actual quadro de recessão, com uma rigorosa fiscalização aos eventuais abusos como os que se sucedem com a aplicação do lay-off, são outros dos objectivos dos comunistas.
No que respeita à precariedade, o PCP defende o princípio segundo o qual «a funções permanentes têm que corresponder contratos permanentes». Para criar emprego e travar os despedimentos, os comunistas propõem designadamente uma política de pleno emprego, o que exige a criação de postos de trabalho, a aposta nos sectores produtivos, o combate às deslocalizações e a adopção de uma legislação laboral dissuasora dos despedimentos.
Os comunistas consideram que o Estado deve assumir um papel determinante na economia, designadamente com o controlo público dos seus sectores estratégico». Para o PCP, há ainda que valorizar e defender os serviços públicos e apoiar os sectores produtivos da indústria, agricultura e pescas, de modo a inverter a crescente dependência do País face ao exterior.


Mais artigos de: Em Foco

Pela mudança que o País precisa

Melhorar as condições de vida dos trabalhadores e pensionistas, responder às dificuldades e à crise com medidas de apoio à economia real, anular medidas violadoras de direitos dos trabalhadores (como é o caso da desregulamentação dos horários de trabalho), garantir uma mais justa distribuição da riqueza, eis algumas das linhas de trabalho que estarão presentes na acção do PCP no futuro próximo, nomeadamente no debate do Orçamento do Estado para 2010.

Responder à crise<br>Melhorar a vida

Aumento dos salários, pensões e reformas (como via para atenuar a crescente desigualdade na distribuição da riqueza), apoio às micro, pequenas e médias empresas, reforço do investimento público e maior equidade fiscal, são algumas das linhas prioritárias de intervenção do PCP no debate do Orçamento do Estado para...

Por mais justiça fiscal

A diminuição da carga fiscal para os salários mais baixos, apoiando mais os trabalhadores em despesas como por exemplo saúde, educação e rendas de casa, constitui uma das medidas preconizadas pelo PCP com vista a introduzir maior justiça fiscal no OE para o ano em curso.De grande alcance é também, além de outras...

Alargar acesso ao subsídio

O PCP voltou a exigir a urgente alteração dos critérios de atribuição do subsídio de desemprego, defendendo, tal como inscreve em diploma sua autoria, a diminuição dos prazos de garantia para lhe aceder e o aumento do seu período de concessão.A bancada comunista foi nesta legislatura o primeiro partido a reivindicar esta...

Apoio ao comércio

A eliminação do pagamento especial por conta (PEC) e a antecipação da devolução do IVA pelo Estado a 30 dias constituem duas importantes medidas de apoio aos comerciantes, defende o PCP, solidário com um sector que em sua opinião está a braços com um «violento processo de concentração da propriedade e de domínio...

Corrigir injustiça

Reafirmada pela formação comunista foi a intenção de proceder a diligências no sentido de que a Assembleia da República discuta e vote o mais rápido possível a correcção da grave injustiça em que vivem os ex- trabalhadores da Empresa Nacional de Urânio. Trata-se do acesso às pensões de invalidez e velhice e ao...